quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sem ninguém em mim

É um estar sem gosto e não ruim. É um não estar. Um não estar aqui. Uma sensação (não acho outra palavra, apesar de achar que essa não se encaixa) de vazio, de nada, de deserto. É quando a alma tá bem distante, infinito, dá uma folga, e cala todo o corpo... A boca se cala, não há forças para falar, não há o que dizer, não se acha nada, não se sente que não se acha. A mente ainda funciona, com muito custo. Sou passiva, não reajo, ando blindada, anestesiada, indiferente. Minha alma simplesmente me deixou, cansou, eu sou o nada nesse instante. Tão estranho é (novamente) essa sensação de oco de mim, parti sem deixar de seguir o rumo da vida que levo. Eu, minha alma, fui pensar, enquanto eu fiquei cuidando da minha vida. Pensar não, nadear. Mais de mim está lá. E como eu descanso... Sensação de ser tão profunda, forte, tão sagrada, mesmo quando não se é nada. Algo que te cala mas não importa, porque não há nada a se dizer, e esse nada vem de mim. Um prazer quieto, calmo na calmaria, no deserto, no infinito, no outro mundo. Estou em outro mundo, nada mais importa, absolutamente nada, nem as coisas boas nem as ruins da vida que costumo levar. É o branco total. Sem cor, sem cheiro, sem fedor, sem som, sem luz, sem dor, sem alegria, sem tudo, sem nada. Só o silêncio do universo tomando conta da minha mente e na minha alma.

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