segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

domingo, 14 de novembro de 2010

caso a caso acaso caso a acaso
acaso a acaso caso acaso a caso
caso caso caso caso caso acaso bum caso
acaso acaso acaso acaso acaso caso fim
nada
tudo

08/11/10

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Despertar

Admiro os inquietos, hiperativos, pulsantes, elétricos, incessantes, falantes, pensantes, pensantes-falantes, cantantes, cantantes-falantes, constantes inconstantes: eles têm sede de ser. E a sede de ser, mesmo que um paradoxo, é divina.

24/10/10

Vão

A gente tenta fazer
O que a física não deixa acontecer
Duas almas não ocupam dois corpos - que se querem um -
Ao tempo mesmo
Por mais que nos abraçemos
Ainda longe estaremos
Porque cada um é cada um
Assim seguimos, vivendo

24/10/10

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sem ninguém em mim

É um estar sem gosto e não ruim. É um não estar. Um não estar aqui. Uma sensação (não acho outra palavra, apesar de achar que essa não se encaixa) de vazio, de nada, de deserto. É quando a alma tá bem distante, infinito, dá uma folga, e cala todo o corpo... A boca se cala, não há forças para falar, não há o que dizer, não se acha nada, não se sente que não se acha. A mente ainda funciona, com muito custo. Sou passiva, não reajo, ando blindada, anestesiada, indiferente. Minha alma simplesmente me deixou, cansou, eu sou o nada nesse instante. Tão estranho é (novamente) essa sensação de oco de mim, parti sem deixar de seguir o rumo da vida que levo. Eu, minha alma, fui pensar, enquanto eu fiquei cuidando da minha vida. Pensar não, nadear. Mais de mim está lá. E como eu descanso... Sensação de ser tão profunda, forte, tão sagrada, mesmo quando não se é nada. Algo que te cala mas não importa, porque não há nada a se dizer, e esse nada vem de mim. Um prazer quieto, calmo na calmaria, no deserto, no infinito, no outro mundo. Estou em outro mundo, nada mais importa, absolutamente nada, nem as coisas boas nem as ruins da vida que costumo levar. É o branco total. Sem cor, sem cheiro, sem fedor, sem som, sem luz, sem dor, sem alegria, sem tudo, sem nada. Só o silêncio do universo tomando conta da minha mente e na minha alma.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Alma

Tão esperto foi o compositor Pedro Luís, que desafiou as palavras de Fernando Pessoa, cantando "tudo vale a pena, sua alma não é pequena".
É verdade. Por mais que a gente queira pensar que não. Quem somos nós pra medir a alma de alguém? Se mesmo pra Kant ela é uma das coisas que nunca iremos conhecer, nem mesmo quando se trata da nossa?
Somente um deus seria capaz disso. A alma talvez seja infinita. Nós precisamos é cutucá-la, e já que não se pode encostar nela, cutuquemos com a mente.
A alma é um mistério que se junta com o da morte. E é melhor que seja, pois mais importante do que conhecê-la ou entendê-la, é senti-la. Não importa como... No choro ou no sorriso, no ódio que pulsa, na mente ou na dança, quando se busca enlouquecidamente a alma em cada parte do corpo. E talvez só assim ela se preserve tão grandiosa, tão deliciosamente inexplicável, porque inalcansável por quem a sente. É como aquele brinquedo que tem em seu interior um líquido gelatinoso: tentamos desesperadamente segurá-lo, mas a busca é muito mais prazerosa do que tê-lo em mãos. Sentir é quase o oposto de saber, e é isso o que faz de nós únicos.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Oco

Eu não gosto de usar palavras que tenha conhecido há pouco, pelo dicionário ou pelo ouvir falar. Sinto-me como que forçando uma relação íntima com quem acabei de conhecer.