Tão esperto foi o compositor Pedro Luís, que desafiou as palavras de Fernando Pessoa, cantando "tudo vale a pena, sua alma não é pequena".
É verdade. Por mais que a gente queira pensar que não. Quem somos nós pra medir a alma de alguém? Se mesmo pra Kant ela é uma das coisas que nunca iremos conhecer, nem mesmo quando se trata da nossa?
Somente um deus seria capaz disso. A alma talvez seja infinita. Nós precisamos é cutucá-la, e já que não se pode encostar nela, cutuquemos com a mente.
A alma é um mistério que se junta com o da morte. E é melhor que seja, pois mais importante do que conhecê-la ou entendê-la, é senti-la. Não importa como... No choro ou no sorriso, no ódio que pulsa, na mente ou na dança, quando se busca enlouquecidamente a alma em cada parte do corpo. E talvez só assim ela se preserve tão grandiosa, tão deliciosamente inexplicável, porque inalcansável por quem a sente. É como aquele brinquedo que tem em seu interior um líquido gelatinoso: tentamos desesperadamente segurá-lo, mas a busca é muito mais prazerosa do que tê-lo em mãos. Sentir é quase o oposto de saber, e é isso o que faz de nós únicos.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
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