Os companheiros não mais entendiam nada. Tinham a absoluta certeza de que havia algo de errado nas entranhas daquele velho conhecedor das esperanças e desesperanças do povo, das suas lamúrias e de suas razões, conformidades inocentes, de seus flagelos, mais ainda de seus cacoetes e dizeres... Bem pudera. Trabalhou em armazém como ninguém, passara por engraxate, "office-boy", operário, sindicalista e, agora, cargo só um pouco mais importante, presidente da República Federativa do Brasil.
Quando o assunto é o seu merecido reconhecimento por competência, num país de oportunidades vetadas, considerando-se todas as contradições deste capitalismo apenas aparentemente inoportuno, talvez seria ele o "Machado de Assis" do "novo" Brasil.
Digamos que pela classe A, B, C e D, com exceção da E, ele passou e permaneceu durante tempos consideráveis. Tudo isso faz-nos concluir que não se trata de um zé-qualquer da vida, que desconhece as peculiaridades de cada estrato da massa (da lasanha) brasileira, como muitos assim pensam.Quando o assunto é o seu merecido reconhecimento por competência, num país de oportunidades vetadas, considerando-se todas as contradições deste capitalismo apenas aparentemente inoportuno, talvez seria ele o "Machado de Assis" do "novo" Brasil.
Agora você deve-se perguntar (e, acredite, eu também) o que danado havia de errado com aquele homem, que não era qualquer um, havia passado por tantos caminhos pedregosos, tantos desencontros com o destino, mesmo que por fim com destino tão brilhante. Digamos que talvez nem sempre bem acompanhado (ACM e Sarney, por exemplo, nunca foram amiguinhos tão simpáticos aos "companheiros" do bom e velho Lula), assim, como um malabarista, fez todos os gostos (e criou também, pois mesmo discordando de tanta coisa a gente ainda simpatiza com o baixinho), sem deixar satisfações espatifarem no chão, para estar agora passando por maus bocados.
A fim de sabê-lo, a massa da Lasanha concluiu que não era um só Lula aquele(s). Separaram, então, um por um. Escolheram a versão 8o's e a versão "só-sei-que-nada-sei" ou, ainda, "Cirque du Soleil" do dito cujo.
Marcaram, com cada Lula, um encontro no ônibus 174, lá no Rio de Janeiro, "mearmo". Não apareceram no bat-dia, na bat-hora. Era melhor que fosse um encontro a dois (ou a um?), somente. Talvez eles só encontrariam-se assim, com uma ajudinha da massa.
Depois de horas e horas "enclausurados" e "sozinhos" naquele ônibus, depois de discussões e agressões verbais, a versão pós-moderna, cheia de seus paradoxos e contradições, meteu-lhe a mão no seu rosto. Sentido-se profundamente agredida, a versão 80's conteve-se, enrustida, para não acertar-lhe também seu rosto (mesmo assim,verdadeiramente PUTA DA VIDA), pois afinal seria um inadmissível ato de desacato para com o presidente, oras.
Antes somente público (a não ser pelo fato de ter provocado o encontro, o que já é grande coisa, pois eu mesma nunca a vi mexer-se sozinha), a massa da Lasanha começa a entrar no ônibus para apartar a briga, antes que aquilo tudo terminasse numa tragédia, feito o que aconteceu com o que entrou para a História, em 1954.
Então o sonho acabou. O final dessa estória eu quero ver, imagino que você também, ainda que talvez não seja possível para nós; para tentar, eu preciso voltar ao sono, assim como faz o Brasil, desde que nasceu, há mais de 500 anos atrás. Ô bichinho dorminhoco!
